ponto e vírgula
Domingo, Maio 06, 2012
Vidrinhos
Há momentos para os quais as palavras não têm significado.
Momentos que deveriam poder ser guardados em vidrinhos que, quando abertos, nos
trouxessem de novo o cheio, a cor, o som, o sabor e as emoções do que foi vivido
e sentido. Pensando bem, acho que já existem estes vidrinhos em minha memória,
esta guardiã que hoje recebeu mais um deles.
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Roberta Cavalcanti
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Segunda-feira, Março 19, 2012
Quinta-feira, Março 15, 2012
Mudança
E aí, de repente, tudo muda. O que era certeza, ou se transforma em dúvida ou se reconfigura. Ideias trocam de lugar e expectativas mudam de direção. Desistências desistem de desistir e insistem ao se apresentarem, de novo, viáveis. Sins se transformam em nãos. E vice-versa e no verso do que parecia óbvio, possibilidades esquecidas sorriem. Ora debochadas, ora triunfantes gritam: de repente tudo muda. E aí, mudou.
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Quarta-feira, Março 14, 2012
O cheiro do novo
Os olhos não enxergavam além e os ouvidos identificavam apenas o som destrutivo de pensamentos monótonos, mas cheirava o novo. Com os outros sentidos comprometidos pelos sentimentos, só havia o cheiro. O cheiro do novo que farejava como bicho. Talvez farejar fosse, para os bichos, uma forma de desejar, de delirar. Delirava, mas haveria o novo. Sentia o cheiro do novo.
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Terça-feira, Março 06, 2012
Para recomeçar, por onde começar? O que fazer se letra mais letra são apenas palavra mais palavra? Palavras no singular, solitárias e sem emoção. Emoções... Onde estão elas que não mais na escrevinhação?
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Quinta-feira, Janeiro 26, 2012
Um segundo e pode ser o fim. Diante de certos acontecimentos, especialmente dos trágicos, é inevitável pensar na transitoriedade da vida. Inevitável pensar, também, em todo o tempo que foi desperdiçado, em todos os aborrecimentos evitáveis, em todos os conflitos contornáveis, em todas as palavras que não precisavam ser ditas. Pensar, também, em todas as palavras que, ao contrário, foram caladas, em todos os abraços que não foram dados, em todos os sentimentos que não foram revelados. Um segundo e... Quero dizer, agora, o quanto você é importante para mim.
Posso não falar com frequência o quanto gosto de você, mas eu gosto. Posso raramente entrar em contato e parecer não sentir a sua falta, mas eu sinto. Posso não ligar no dia do seu aniversário, ou no Natal, ou no réveillon e, por isso, achar que eu não penso em você, mas eu penso. Posso não ter dito que superei qualquer desavenças que tenha tido com você, mas eu superei. Posso não ter colocado o seu nome aqui, mas escrevo para você. Você que, pode ter certeza, é muito importante para mim!
Posso não falar com frequência o quanto gosto de você, mas eu gosto. Posso raramente entrar em contato e parecer não sentir a sua falta, mas eu sinto. Posso não ligar no dia do seu aniversário, ou no Natal, ou no réveillon e, por isso, achar que eu não penso em você, mas eu penso. Posso não ter dito que superei qualquer desavenças que tenha tido com você, mas eu superei. Posso não ter colocado o seu nome aqui, mas escrevo para você. Você que, pode ter certeza, é muito importante para mim!
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Domingo, Julho 03, 2011
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"Tudo que não invento é falso"
Manoel de Barros
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"Tudo que não invento é falso"
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Domingo, Junho 26, 2011
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Naquele dia ela estava, tomando emprestada uma expressão da mãe, adivinhando chuva. Ou talvez estivesse querendo fazer chover lágrimas. Das pesadas nuvens de sentimentos abafados, choro. Chuva para lavar do coração aquele amor nublado. Caiu, no choro, a chuva de lágrimas. Como previsão ou vontade, chorou. Pelas ranhuras deixadas pelos passados passaram as lágrimas de antes. As lágrimas de agora escorreram pelos olhos na chuva que chorou no coração dela. Porque naquele dia ela adivinhou choro e deixou chover.
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Naquele dia ela estava, tomando emprestada uma expressão da mãe, adivinhando chuva. Ou talvez estivesse querendo fazer chover lágrimas. Das pesadas nuvens de sentimentos abafados, choro. Chuva para lavar do coração aquele amor nublado. Caiu, no choro, a chuva de lágrimas. Como previsão ou vontade, chorou. Pelas ranhuras deixadas pelos passados passaram as lágrimas de antes. As lágrimas de agora escorreram pelos olhos na chuva que chorou no coração dela. Porque naquele dia ela adivinhou choro e deixou chover.
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Segunda-feira, Junho 13, 2011
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Uma lembrança, como cantiga, me fazendo girar
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Uma lembrança, como cantiga, me fazendo girar
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Sexta-feira, Junho 03, 2011
Um dia de surpresa
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Acordou para um dia que era como um dia qualquer. Amanhecido com chuva e frio, era um daqueles dias de sair debaixo do edredom já pensando em voltar para debaixo dele. Mas um dia que pode ser como outro dia qualquer, pode ser como um dia que não foi como outro qualquer, pode ser como um dia de surpresa. Surpresa: fato ou coisa que surpreende; fato repentino e imprevisto. No dia em que nada repentino ou imprevisto era esperado, um convite esperado. Irrecusável. E o dia amanhecido sem graça terminou onde havia sido previsto, mas não como havia sido previsto. Não era um dia qualquer.
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Acordou para um dia que era como um dia qualquer. Amanhecido com chuva e frio, era um daqueles dias de sair debaixo do edredom já pensando em voltar para debaixo dele. Mas um dia que pode ser como outro dia qualquer, pode ser como um dia que não foi como outro qualquer, pode ser como um dia de surpresa. Surpresa: fato ou coisa que surpreende; fato repentino e imprevisto. No dia em que nada repentino ou imprevisto era esperado, um convite esperado. Irrecusável. E o dia amanhecido sem graça terminou onde havia sido previsto, mas não como havia sido previsto. Não era um dia qualquer.
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Quarta-feira, Maio 18, 2011
Segunda-feira, Maio 16, 2011
Inspiração
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Há algumas semanas, Zuenir Ventura escreveu uma crônica para o jornal com o sugestivo título “Musa inspiradora”. Mas não, não era uma homenagem a uma musa em especial e nem a várias delas, ao contrário. No texto, Zuenir lembrou histórias de compositores e escritores que diziam que tinham como musa inspiradora o prazo, um pedido de um produtor, uma encomenda. Sim, obras de arte podem e são feitas por encomenda, o que não as desmerece ou diminui.
Refletindo sobre a reflexão do cronista, pensei em minha aventura pelo universo das crônicas, dos contos e da poesia. Nunca tive a pretensão de classificar minha produção como artística. Para mim, escrever sempre foi um exercício de criatividade, um meio de experimentação, um desafio pessoal. Um algo meu para mim mesma. Portanto, sem prazos e encomendas. Talvez por isso, eu tive sim uma fonte de inspiração. Não digo muso, simplesmente porque acho que, se pode ser esta a ideia, não é a palavra.
Aliás, muso é palavra que não existe. Existe o feminino, que, segundo o dicionário, é qualquer ser ou divindade que inspira as artes. Ser, sim; divindade, nenhuma. Minha fonte de inspiração foi, durante muito tempo, uma pessoa – como qualquer outra pessoa, única – também em busca de inspiração. Acompanhar de perto esta busca foi um estímulo para resgatar coisas que também eu havia tentado encontrar um dia. Assim, voltei a escrever. Depois parei, mas acho que estou voltando novamente.
Nesta volta de agora, com a crônica e com tudo que a partir dela pensei, entendi que nestas e em outras idas e vindas que foram e que ainda virão, haverá sempre algo daquela fonte inspiradora. Podem surgir outras fontes, outros seres e pessoas, pode ser que um dia até prazos apareçam, mas aquela inspiração que me fez buscar referências de mim mesma será sempre um estímulo especial. Deixando me levar novamente por este estímulo, digo para você, meu amigo escriba, muito obrigada!
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Há algumas semanas, Zuenir Ventura escreveu uma crônica para o jornal com o sugestivo título “Musa inspiradora”. Mas não, não era uma homenagem a uma musa em especial e nem a várias delas, ao contrário. No texto, Zuenir lembrou histórias de compositores e escritores que diziam que tinham como musa inspiradora o prazo, um pedido de um produtor, uma encomenda. Sim, obras de arte podem e são feitas por encomenda, o que não as desmerece ou diminui.
Refletindo sobre a reflexão do cronista, pensei em minha aventura pelo universo das crônicas, dos contos e da poesia. Nunca tive a pretensão de classificar minha produção como artística. Para mim, escrever sempre foi um exercício de criatividade, um meio de experimentação, um desafio pessoal. Um algo meu para mim mesma. Portanto, sem prazos e encomendas. Talvez por isso, eu tive sim uma fonte de inspiração. Não digo muso, simplesmente porque acho que, se pode ser esta a ideia, não é a palavra.
Aliás, muso é palavra que não existe. Existe o feminino, que, segundo o dicionário, é qualquer ser ou divindade que inspira as artes. Ser, sim; divindade, nenhuma. Minha fonte de inspiração foi, durante muito tempo, uma pessoa – como qualquer outra pessoa, única – também em busca de inspiração. Acompanhar de perto esta busca foi um estímulo para resgatar coisas que também eu havia tentado encontrar um dia. Assim, voltei a escrever. Depois parei, mas acho que estou voltando novamente.
Nesta volta de agora, com a crônica e com tudo que a partir dela pensei, entendi que nestas e em outras idas e vindas que foram e que ainda virão, haverá sempre algo daquela fonte inspiradora. Podem surgir outras fontes, outros seres e pessoas, pode ser que um dia até prazos apareçam, mas aquela inspiração que me fez buscar referências de mim mesma será sempre um estímulo especial. Deixando me levar novamente por este estímulo, digo para você, meu amigo escriba, muito obrigada!
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Sábado, Maio 14, 2011
Porque uma hora não tem mais como piorar
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Se quinze minutos de atraso costumam ser tolerados e até previstos, o que dizer de um adiantamento de meia hora diante de olhos vermelhos e espirros em série atestando o poder de um simples resfriado? Nada. Meia hora não é nada, mas achei que pudesse fazer toda diferença para chegar mais rápido em casa, me enrolar no edredom e me jogar na cama.
Entre o ônibus e o metrô, escolhi o primeiro. Como a meia hora faria a diferença, o trânsito de sexta-feira não faria a diferença. Para ajudar, o ônibus logo passou e o primeiro mas logo surgiu: era um ônibus com ar. Perfeito para um fim de tarde com temperatura de verão, mas para o início de uma noite com chuva de quase inverno... Chegar logo era o objetivo, então fui. Entre e... O segundo mas. Cheio, nenhum lugar.
Quando eu já conformada que o tempo em pé logo seria compensado na minha cama – minha cama, ideia fixa – alguém levantou e coube a mim o lugar que ficou vago. Mas... Mais um mas. Logo percebi que a pessoa ao meu lado estava de óculos escuros – óculos escuros de noite? – e em seguida, ao ver que ela levava com frequência um lenço aos olhos escondidos sob as lentes escuras, a dedução óbvia: conjuntivite. Ah, não, não preciso de mais nenhuma ite!
Mesmo sem ter ouvido os meus pensamentos, a pessoa desceu logo depois. Mas... O trânsito parou. Mesmo sem sair do lugar o ônibus foi ficando vazio e eu, ainda atormentada pela conjuntivite que havia estado ao meu lado, mudei de lugar. Lembrei que tinha um vidrinho de álcool gel na bolsa e passei nas mãos pensando que, na verdade, queria era ter uma garrafinha de cachaça na bolsa...
Não havia cachaça e sim um livro. Ler ajudaria a passar o tempo se alguém não tivesse decidido ouvir música no celular, sem fone, claro, porque no meio de tantos mas eu não poderia esperar outra coisa. Embora houvesse outra coisa. Além de ouvir a pessoa cantava. Sim, música ruim em dobro no meio do engarrafamento.
Talvez querendo cantar para um público maior, o dono do celular e da falta de talento vocal também desceu. Seria a paz, mas... Sentou do meu lado, mesmo com tantos lugares vazios sentou do meu lado, alguém que não afalava, gritava. Em alto e bom som, atentados violentos à gramática portuguesa. Até que esta pessoa também desistiu. E eu, resistiria mais quanto tempo no meio de tantos mas?
Dominada por uma estranha mistura de mal-estar, irritação, tédio e impaciência, peguei o celular e mandei uma mensagem para quem não deveria mandar. Mas – finalmente um mas que não é como os outros – chega uma hora em que não dá mais para ficar pior. Erro no envio. A mensagem não pode ser enviada e não é que parece que os carros voltaram a andar? Ainda devagar, mas... Agora bendito mas, já há um movimento.
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Se quinze minutos de atraso costumam ser tolerados e até previstos, o que dizer de um adiantamento de meia hora diante de olhos vermelhos e espirros em série atestando o poder de um simples resfriado? Nada. Meia hora não é nada, mas achei que pudesse fazer toda diferença para chegar mais rápido em casa, me enrolar no edredom e me jogar na cama.
Entre o ônibus e o metrô, escolhi o primeiro. Como a meia hora faria a diferença, o trânsito de sexta-feira não faria a diferença. Para ajudar, o ônibus logo passou e o primeiro mas logo surgiu: era um ônibus com ar. Perfeito para um fim de tarde com temperatura de verão, mas para o início de uma noite com chuva de quase inverno... Chegar logo era o objetivo, então fui. Entre e... O segundo mas. Cheio, nenhum lugar.
Quando eu já conformada que o tempo em pé logo seria compensado na minha cama – minha cama, ideia fixa – alguém levantou e coube a mim o lugar que ficou vago. Mas... Mais um mas. Logo percebi que a pessoa ao meu lado estava de óculos escuros – óculos escuros de noite? – e em seguida, ao ver que ela levava com frequência um lenço aos olhos escondidos sob as lentes escuras, a dedução óbvia: conjuntivite. Ah, não, não preciso de mais nenhuma ite!
Mesmo sem ter ouvido os meus pensamentos, a pessoa desceu logo depois. Mas... O trânsito parou. Mesmo sem sair do lugar o ônibus foi ficando vazio e eu, ainda atormentada pela conjuntivite que havia estado ao meu lado, mudei de lugar. Lembrei que tinha um vidrinho de álcool gel na bolsa e passei nas mãos pensando que, na verdade, queria era ter uma garrafinha de cachaça na bolsa...
Não havia cachaça e sim um livro. Ler ajudaria a passar o tempo se alguém não tivesse decidido ouvir música no celular, sem fone, claro, porque no meio de tantos mas eu não poderia esperar outra coisa. Embora houvesse outra coisa. Além de ouvir a pessoa cantava. Sim, música ruim em dobro no meio do engarrafamento.
Talvez querendo cantar para um público maior, o dono do celular e da falta de talento vocal também desceu. Seria a paz, mas... Sentou do meu lado, mesmo com tantos lugares vazios sentou do meu lado, alguém que não afalava, gritava. Em alto e bom som, atentados violentos à gramática portuguesa. Até que esta pessoa também desistiu. E eu, resistiria mais quanto tempo no meio de tantos mas?
Dominada por uma estranha mistura de mal-estar, irritação, tédio e impaciência, peguei o celular e mandei uma mensagem para quem não deveria mandar. Mas – finalmente um mas que não é como os outros – chega uma hora em que não dá mais para ficar pior. Erro no envio. A mensagem não pode ser enviada e não é que parece que os carros voltaram a andar? Ainda devagar, mas... Agora bendito mas, já há um movimento.
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Quarta-feira, Maio 11, 2011
Detalhes de felicidade
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Felicidade? A felicidade pode estar, aqui e ali, nos detalhes. Olhe para fora e para dentro, para a esquerda e para a direita. Levante a abaixe a cabeça, abra e feche os olhos. Ali! Viu? Ali naquela nuvem branca solta no céu azul, ali naquela música quase esquecida que está tocando, cheia de lembranças, no rádio agora. Aqui! Viu? Aqui neste raio de sol que invade a sala pela fresta da persiana, aqui no computador, neste e-mail encaminhado. Aqui e ali, detalhes de felicidade.
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Felicidade? A felicidade pode estar, aqui e ali, nos detalhes. Olhe para fora e para dentro, para a esquerda e para a direita. Levante a abaixe a cabeça, abra e feche os olhos. Ali! Viu? Ali naquela nuvem branca solta no céu azul, ali naquela música quase esquecida que está tocando, cheia de lembranças, no rádio agora. Aqui! Viu? Aqui neste raio de sol que invade a sala pela fresta da persiana, aqui no computador, neste e-mail encaminhado. Aqui e ali, detalhes de felicidade.
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Sexta-feira, Dezembro 24, 2010
Poema de Natal
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"Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente"
(Vinicius de Moraes)
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"Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente"
(Vinicius de Moraes)
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Quinta-feira, Outubro 21, 2010
Passos
Hexágonos unidos formando um tapete tão duro quanto monótono. Cimento. Linhas se unindo, formatos se repetindo. Cimento. Pisando sem ritmo nos hexágonos sem vida, pensamentos áridos, indefinidos, interrompidos por uma inesperada cor. No cimento, o verde resistindo a simetria sem equilíbrio dos hexágonos. Em mim, o mesmo verde resistente das minúsculas folhas que tive o cuidado de não pisar. Também eu resistia e insistia apesar da dureza árida dos sentimentos acimentados por passados que não eram meus. Passos dados.
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Quarta-feira, Agosto 25, 2010
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Saudade de estar aqui... Com uma vontade, quase necessidade, de letras, talvez seja momento de voltar.
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Saudade de estar aqui... Com uma vontade, quase necessidade, de letras, talvez seja momento de voltar.
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Quarta-feira, Julho 01, 2009
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"Ora, viver é cumprir sonhos, esperar notícias"
(Antes de nascer o mundo - Mia Couto)
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"Ora, viver é cumprir sonhos, esperar notícias"
(Antes de nascer o mundo - Mia Couto)
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Sexta-feira, Junho 26, 2009
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Surpresa. Tão inesperada quanto desejada, surpresa presa na indefinição entre alegria e não alegria. Felicidade desconfiada. Euforia apreensiva. Dúvidas. Muitas dúvidas na contraditória vontade de voltar no tempo e de, ao mesmo tempo em outro tempo, vê-lo distante. Desejo de uma lembrança enevoada por memórias, anteriores ou posteriores, menos dolorosas. Dor. No frio na barriga, quase dor. Uma dor recordada e quase (re) sentida. Ressentida. (Re) ressentida na surpresa feita ilusão. (Des) surpresa sem surpresa. Tristeza quase não triste na dúvida quase certa de ser melhor não ser o que já foi. Se foi e de novo foi o fim.
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Surpresa. Tão inesperada quanto desejada, surpresa presa na indefinição entre alegria e não alegria. Felicidade desconfiada. Euforia apreensiva. Dúvidas. Muitas dúvidas na contraditória vontade de voltar no tempo e de, ao mesmo tempo em outro tempo, vê-lo distante. Desejo de uma lembrança enevoada por memórias, anteriores ou posteriores, menos dolorosas. Dor. No frio na barriga, quase dor. Uma dor recordada e quase (re) sentida. Ressentida. (Re) ressentida na surpresa feita ilusão. (Des) surpresa sem surpresa. Tristeza quase não triste na dúvida quase certa de ser melhor não ser o que já foi. Se foi e de novo foi o fim.
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Quarta-feira, Maio 06, 2009
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